Jardim Tranquilidade servia para isolar doentes com hanseníase

Área onde hoje é o Hospital Padre Bento era sanatório para leprosos

por BRUNO CARVALHO

Lá eram internadas compulsoriamente as pessoas que tinham o mal de Hansen, de 1933 a 1962, famílias foram separadas por causa dessa doença. O livro “Eu denuncio o Estado” nos leva a conhecer a história local contada por quem viveu confinado por ignorância das autoridades.

Quando era descoberta a doença a Inspetoria de Profilaxia da Lepra, órgão criado pelo governo para conter o mal, capturava as pessoas e levava até os sanatórios, que no Estado de São Paulo eram cinco: Padre Bento, Cocais, Aimorés, Santo Ângelo e Pirapitingui. Lá seres humanos viviam isolados, os visitantes não podiam tocar nos internos e tudo era controlado por guardas. A idéia do Estado era acabar com a hanseníase, que não tinha cura, mas se morressem todos os infectados o mal chegaria ao fim.

Era esse o conceito das autoridades governamentais e até de alguns médicos, que viveram em tempos não tão antigos e, que Guarulhos também foi palco. Quem viveu no Sanatório Padre Bento teve um pouco mais de sorte, pois, conviveu com o Dr. Lauro de Souza Lima, quem conheceu diz que foi um “santo”. Seu nome também é lembrado porque foi um dos cientistas mais aplicados para descobrir a cura para a lepra.

É mais um livro que leva o leitor a descobrir como foi o passado do lugar onde vive e, a história deve ser conhecida para que não se repitam os mesmos erros. Arnaldo Rubio traz para a sociedade as memórias de um momento histórico vergonhoso para o país.

Informações sobre o livro:


Título: Eu Denuncio o Estado

Autor: Arnaldo Rubio

Assunto: História da hanseníase no Brasil

Número de Páginas: 256

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Comments
9 Responses to “Jardim Tranquilidade servia para isolar doentes com hanseníase”
  1. Kizzy disse:

    Olá, gostaria de saber mais sobre este autor Arnaldo Rubio. Infelismente não acho nada sobre ele na internet. É impressionante como as coisas boas, informações importantes não são divulgadas em nossa cidade.

    Fico no aguardo.

  2. Francisco Feitosa disse:

    Gostaria de obter mais informações sobre o livro (editora, locais de compra) e sobre o autor.

  3. mauricio silva dos santos disse:

    tenho caso de hanseniase na familia e acho a historia muito omissa quando trata desse assunto não conheço nada sobre a dornça e nem sobre as formas atuais de tratamento,mas como morador antigo de guarulhos conheço um pouco e muito pouco da historia do padre bento eu mesmo frequentei o cinema de lá na decada de setenta ,sei que o dinheiro que o governo dispensava naquela época não era pouca ,pois as casas eram grandes e tinham uma boa estrutura ,será que não se podia fazer o mesmo com os viciados em craque e outras drogas hoje? ou o governo militar era mais eficiente?lembremos sempre que esse sanatório é de 1930

    • Bruno Carvalho disse:

      O governo militar não era nada eficiente. Muitos recursos foram gerados com esforço dos próprios internos. Outra coisa, a internação feita nesses sanatórios não é bom exemplo para não nenhum outro problema. Famílias foram divididas, pessoas se perderam para o resto da vida.

  4. Jaime Prado disse:

    Ah seria bom se o senhor Arnaldo Rúbio com todo seu conhecimento adquirido e vivido dentro das colonias onde ele viveu parte da sua vida, escrevesse sobre o abandono dos Cemitérios do antigo Sanatório de Pirapitingui em ïtu/SP, e do antigo Asilo Colonia Aimorés que ele bem conhece a história das terras os processos e tudo mais, falta um Arnaldo Rúbio no Morhan para falar e exclarecer o que ele viveu, viu e presenciou nos antigos campos de concentração NAZIZTAS.
    Jaime Prado- Membro Voluntário do Morhan em Bauru/SP, preservando a história do passado

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